segunda-feira, 15 de novembro de 2021

UMA ENTREGA SEM RESERVAS

 


“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará”,

Salmo 37.5

O versículo em destaque é bastante conhecido, inclusive, muitos já experimentaram alívio em meio às tribulações com a confiança que as palavras deste versículo inspiram. Mas implica também continuar confiando n’Ele, ainda que a resposta não seja aquilo que desejamos ou achamos que merecemos receber. Entregar o caminho ao Senhor pressupõe confiar que Ele fará ou permitirá aquilo que for o necessário para o nosso crescimento, pois nem sempre o que queremos é de fato aquilo que precisamos receber. Crer que “ele tudo fará” é aceitar as respostas, as soluções e o agir de Deus com serenidade e fé inabalável. É continuar confiante de que o “tudo” de Deus é o bastante e o suficiente para a nossa vida. 

Naturalmente que, em meio às aflições, pouco paramos para refletir nas palavras que compõe todo o Salmo 37. Tanto nos versículos anteriores ao verso 5 como nos versículos posteriores, o salmista nos aconselha a abandonar sentimentos como: a indignação (v.1); a inveja (v.1); a ira (v.8) e o furor (v.8). Ele diz claramente “não te indignes para fazer o mal” (v.8); Davi insiste em que nos apartemos do mal (v.27). É importante perceber que estes sentimentos são maléficos e facilmente se apossam do nosso coração em momentos turbulentos da vida. É preciso, antes de tudo, entregar os sentimentos perniciosos que teimam em se cristalizar no coração aflito. Como entregar nosso caminho ao Senhor e confiar n’Ele se não deixarmos para trás a ira, a indignação, a inveja e o mal? Não é sem razão que Tiago, em sua epístola, adverte: “Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus”, Tg 1.20.

Curiosamente, o salmista faz um contraponto, no mesmo texto, nos exortando a que tenhamos outras atitudes e cultivemos sentimentos saudáveis. Ele diz que devemos: confiar no Senhor (v.3); fazer o bem (v.3); deleitar-nos no Senhor (v.4); entregar o caminho (v.5); descansar no Senhor (v.7); esperar em Deus (v.7); e guardar o Seu caminho (v.34). Há promessas prescritas para aqueles que assim procederem. O salmo está recheado de orientações sobre o que fazer e não fazer para uma entrega incondicional e verdadeira. Uma coisa é certa: precisamos esvaziar as mãos e o coração na presença do Senhor. Entregar-lhe literalmente tudo. Para que Ele trabalhe por nós, mas também em nós. 

Que possamos entregar nosso caminho e nosso caminhar ao Senhor, sem reservas.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Sua família, como vai?

“...vai bem contigo? Vai bem com teu marido? Vai bem com o teu filho? E ela disse: vai bem. ”, 2Rs 4.27

    O resumo das três perguntas que Eliseu mandou Geazi, seu servo, fazer à mulher sunamita é este: sua família, como vai? Essa mulher anônima saiu de sua cidade, Suném, para encontrar Eliseu, a uma distância de aproximadamente 40 km. Ela empreendeu uma caminhada de fé, mesmo com todos os sentimentos que situações ruins podem despertar em nosso coração. O texto nos informa como estava o coração daquela mulher: “.... Deixa-a, porque a sua alma nela está triste de amargura...”, 2Rs 4.27

    Não é difícil imaginar como o coração daquela mãe devia estar fragilizado, apertado e temeroso. Mesmo assim, ela não ficou se lamentando, nem questionando ou murmurando; não perdeu tempo com autocomiseração. A sunamita enfrentou aquele momento com coragem e determinação, e partiu em busca de uma solução. Saiu sem qualquer garantia ou certeza de que teria a resposta para a sua dor. Apenas creu que algo poderia acontecer ao encontrar Eliseu, o homem de Deus: “Partiu ela, pois, e veio ao homem de Deus, ao Monte Carmelo…”, 2Rs 4.25.

     A situação era grave, urgente e humanamente irremediável. Somente um milagre reverteria aquela situação. E milagres são especialidades de Deus. O final dessa narrativa bíblica é conhecido por todos. O profeta ressuscitou o filho da mulher de Suném, 2Rs 4.36, devolvendo a alegria e a esperança novamente àquele lar.

    Esta deve ser a atitude de quem não desiste em hipótese alguma, diante das dificuldades e desafios que teimam em destruir a sua família. Inspirados no exemplo dessa mulher prossigamos firmes em nossa caminhada com fé e determinação, lutando para vencer as adversidades que chegam inesperadamente à nossa casa colocando em xeque a nossa fé, testando nossa coragem e persistência. 

    


quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A vaca foi pro brejo - e agora?

 


"Conta a parábola que um mestre muito sábio passeava por uma floresta com o seu fiel discípulo quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer uma visita aos moradores. Durante o percurso até o sítio, o mestre falou ao seu discípulo sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que podemos ter, mesmo com pessoas humildes que mal conhecemos.

Chegando ao sítio, eles constataram a enorme pobreza do lugar, sem calçamento, casa de madeira, apenas os moradores, um casal e três filhos vestidos com roupas sujas e rasgadas. Se aproximaram de um senhor que aparentemente era o pai daquela família e perguntou:

- Nestas áreas não há sinais de comércio e trabalho, como o senhor e sua família sobrevivem aqui?

O senhor calmamente respondeu:

- Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte deste leite nós vendemos ou trocamos por outros produtos na cidade vizinha e o resto nós produzimos  queijo e coalhada para o nosso consumo, e assim vamos sobrevivendo. O sábio mestre agradeceu a informação e contemplou o lugar por alguns momentos, eles se despediram e foram embora. No meio do caminho, o mestre voltou-se para o seu fiel discípulo e ordenou:

- Aprendiz, vá até o sítio, pegue a vaquinha, leve até o penhasco e a jogue lá embaixo.

O jovem arregalou os olhos espantado, questionando a atitude de seu mestre sobre o fato de que a vaquinha é o único meio de sobrevivência que aquela família tem. Mas como percebeu o silêncio absoluto de seu mestre e prometeu total obediência, ele foi cumprir a ordem com dor no coração. Pegou a vaquinha e a empurrou penhasco abaixo. Aquela cena ficou marcada na memória do jovem, que sempre pensava no acontecido e que duvidava das atitudes de seu mestre.

Depois de alguns anos decidiu então largar tudo o que havia aprendido e voltar para aquele local para pedir perdão e tentar ajudá-los de alguma forma. Chegando ao local, entrou em desespero ao avistar uma casa bonita, toda murada, com árvores e flores no quintal, um carro na garagem, crianças brincando no jardim. Ficou triste, imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver. Chegou ao portão e foi recebido por um caseiro muito simpático, e perguntou sobre a família que ali morava há uns quatro anos atrás, e o caseiro então respondeu:

- Continuam morando aqui.

Espantado, ele entrou correndo na casa e viu a mesma família que visitara com seu mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor.

 - Como o senhor melhorou este sítio e está tão bem de vida?

E o senhor entusiasmado respondeu.

- Ah! nós tínhamos uma vaquinha que era a nossa fonte sobrevivência, um dia ela caiu no penhasco e morreu. Depois disso nós tivemos que fazer outras coisas para sobreviver e descobrimos habilidades que nem sabíamos que tínhamos. Assim conseguimos o sucesso que pode ser visto agora".

Quem ainda não ouviu ou usou a frase "a vaca foi pro brejo"? A expressão surgiu da situação real em que o animal busca encontrar capim fresco e se aproxima do brejo que é um terreno úmido, com lama e, por isso, fácil de afundar. Com o peso do corpo, a vaca começa a afundar lentamente no lodo e, quanto mais tenta se mover, mais afunda até ficar atolada. Para sair é preciso da ajuda de várias pessoas, que utilizam estacas para erguer o animal e puxá-lo para fora com cordas, ou utilizam um trator para removê-lo do lugar.

Quando alguém diz que a "vaca foi pro brejo", significa que algo deu errado, muito errado! No entanto, a parábola acima se propõe a nos ensinar que é possível, em situações adversas, fazer uma releitura do caso, emprestar um novo olhar antes que a desesperança nos atinja e nos paralise. Ao enfrentar circunstâncias inesperadas e dolorosas é essencial parar de focar nas perdas. Busque novas alternativas e esteja pronto a testar novas possibilidades. Procure descobrir e adquirir novas habilidades e você ficará surpreso com o seu potencial até então desconhecido. Ao final de tudo, será possível perceber que o “brejo” pode ser a ferramenta que o levará a um outro patamar. Muitas vezes “ir para o brejo” é o movimento que nos arranca do comodismo e nos impulsiona para o conhecimento de novas e poderosas habilidades.

Então, use o brejo a seu favor.


segunda-feira, 22 de junho de 2020



Reflexões em tempos de quarentena...
A quarentena trouxe ou revelou desafios externos e internos para todos nós. Desafios pessoais, familiares e comunitários. Há reflexões necessárias nesses tempos de isolamentos para que, de alguma maneira, nada tenha sido em vão. As incertezas nos espreitam, à medida que os dias passam e vemos os desdobramentos desse período nas mais variadas áreas da nossa vida. Pois é, fomos confrontados, mais uma vez, de forma mais severa, com a nossa impotência e a nossa "desimportância" frente a tudo o que é essencial a vida.
Em se tratando de família, os desafios são de todas as matizes possíveis e imagináveis. A convivência entre pais e filhos, a convivência entre irmãos, a convivência entre os parentes próximos ou não e, não menos importante, a convivência entre os casais. Enfim, a quarentena trouxe à tona o que há muito tempo estava “guardado”, ou não visto, ou não dito nas relações afetivas. A gente vai empurrando algumas situações de convivência para os dias seguintes, na esperança de que tudo se resolva sem que precisemos mexer em questões que trazem desconforto e tensões.
A quarentena nos “prendeu” a espaços mais restritos e desocupou a nossa agenda, de maneira que não há mais desculpas para a falta de tempo. O tempo, que era um aliado para a fuga dos enfrentamentos dos problemas, tornou-se um algoz para os fugitivos. Estamos frente a frente com as questões que precisam ser resolvidas ou tratadas e, no momento, distanciados socialmente, precisamos enfrentar olhares, perguntas e inquietações que tanto nos incomodam e nos acovardam. Que bom seria se tudo se resolvesse num passe de mágica, numa fração de segundos. Já vivemos o bastante para acreditar em soluções rápidas e mágicas. Elas não existem e não deveríamos perder mais tempo idealizando soluções que só acontecerão quando, de fato, nos propusermos a trabalhar em conjunto para que elas surjam.
Para início de conversa, que tal trabalhar a comunicação? A comunicação, ou a falta dela, tem sido um dos principais motivos de desentendimentos, mágoas e dores relacionais. Não é tudo, mas já é um começo. É o chute inicial daquela partida de futebol que a gente quer tanto levar a taça. Então, podemos começar exercitando a arte de ouvir o dito e o não dito. Quando alguém disser alguma coisa, antes de levar para o lado pessoal e deixar que a ira e a mágoa se instalem, é bom a gente se perguntar se o que a gente entendeu foi, de fato, o que o outro quis dizer. Sejamos sinceros, mas não cruéis. Também é desafiador a gente aprender a se ouvir. Será que o que estamos comunicando corresponde a realidade ou são conjecturas, fruto de nossa leitura equivocada sobre um fato ou a realidade?
Se a comunicação clara e genuína nunca aconteceu, este é um bom momento para a construção dessa ferramenta tão essencial aos nossos relacionamentos. Muitos descobriram que já estavam isolados relacionalmente dentro do próprio âmbito familiar. Que seja esse um momento de demolir paredes e muros que nos afastam e, juntos, comecemos a jornada da construção de pontes para o encontro da convivência saudável e harmoniosa com aqueles que estão à nossa volta.
É fácil? Não! Mas é possível.

terça-feira, 5 de maio de 2020






"Mas, naquela medida de perfeição a que já chegamos, nela prossigamos."  Filipenses 3.16

O desafio é prosseguir...

O apóstolo Paulo nos exorta a prosseguir na vida cristã. Ou seja, as mudanças causadas em nosso modo de viver pelo conhecimento do Evangelho de Cristo, naquilo que já alcançamos, não devem ser consideradas plenamente satisfatórias, mas devemos avançar. Isso também é um alerta para que não voltemos ao estágio anterior de uma vida sem o conhecimento da Palavra de Deus. Há que se ter cuidado para não retroceder. É comum desistir, desanimar, desesperançar de ter um viver diário pautado na Palavra de Deus, ainda mais quando, erradamente, o associamos a merecimentos ou à imunidade contra problemas e revezes em nossa jornada. No entanto, o próprio apóstolo, no versículo anterior (v. 12), revela ainda não ter alcançado a excelência da vida cristã, mas nos encoraja dizendo: “..., mas vou prosseguindo...”. O segredo do êxito está em prosseguir. Avançar e não retroceder.
Quero encorajá-lo a prosseguir crescendo e avançando na vida cristã. Que o nosso estilo de vida revele “aquilo para o qual fomos alcançados”. 
Finalmente lembrando o que disse M.L.King: “Eu não sou quem eu gostaria de ser; eu não sou quem eu poderia ser, ainda, eu não sou quem eu deveria ser. Mas graças a Deus eu não sou mais quem eu era!". Portanto, não custa repetir: O segredo do êxito está em prosseguir.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Sarah Cavalcanti: CONVERSAS DE RUA

Sarah Cavalcanti: CONVERSAS DE RUA:



FAÇA O BEM SEM OLHAR A QUEM    



Sabe aquele dia em que você precisa desesperadamente de que tudo o que planejou dê certo? ...

quarta-feira, 26 de julho de 2017

terça-feira, 25 de julho de 2017



Em Dia com a Palavra é um convite para iniciar o dia falando com Deus, meditar em Sua Palavra e viver o cristianismo de forma prática. Este livro traz profundas reflexões para o crescimento espiritual, baseadas principalmente nos detalhes mais sutis dos textos bíblicos.

Aqui veremos, por exemplo, como o desprendimento e altruísmo da escrava da casa de Naamã, uma menina sem status ou recursos, foi capaz de mudar a história de um grande homem. Seremos contagiados por sua compaixão e incentivados a olhar para além de nossas próprias mazelas e agir em favor daqueles que carecem para que o Reino de Deus se expanda na Terra.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Sarah Cavalcanti: HÁ SEMPRE UM TITO!

Sarah Cavalcanti: HÁ SEMPRE UM TITO!: “Mesmo depois de termos chegado à província da Macedônia, não descansamos nada. Em todos os lugares houve problemas, lutas com os de fo...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

HÁ SEMPRE UM TITO!


“Mesmo depois de termos chegado à província da Macedônia, não descansamos nada. Em todos os lugares houve problemas, lutas com os de fora e medo no nosso coração”, 2Co 7.5 (NTLH).
Ambas as cartas aos coríntios indicam a existência nesta igreja de um elemento que pretendia desacreditar o ministério e a autoridade de Paulo. Ele tinha em mente, enquanto escrevia, a pretensão de defender seu apostolado.
Esta é uma das cartas mais pessoais do apóstolo. Nela ele fala principalmente de seu próprio ministério. Abre seu coração e revela seus motivos, sua paixão espiritual, e seu profundo amor pela igreja.
Paulo conhecia muito bem o que é enfrentar adversidades. Ele sabia o que era ter inimigos. Para cumprir seu ministério desafiou poderes políticos, religiosos e espirituais. Encarou tempestades de toda sorte (sejam elas verdadeiras ou somente em sentido figurado). Mesmo assim, humildemente, ele confessou ter temores. Apesar de parecer sempre ousado e audaz, ele se revelou temeroso e, ao fazê-lo, se identifica conosco. Assim como ele, nosso coração se enche de medo ao atravessarmos determinadas situações. Adversidades assustam, abatem e fragilizam nossa fé. Contudo, Paulo não desanima. Ele reconhece que, apesar dos pesares, Deus não o desamparou: “... Deus, que anima os desanimados, nos animou com a chegada de Tito”, 2Co 7.6. Paulo nos ensina que de alguma maneira, Deus sempre providencia o escape e envia o conforto necessário.
Naquela ocasião, a presença de Tito com notícias sobre a igreja em Corinto encheu o coração de Paulo de alegria. O medo cedeu lugar à alegria. É confortante saber que alguém se dispõe a ser instrumento nas mãos de Deus para consolar, fortalecer e amenizar as angústias de um amigo, familiar ou irmão em Cristo. Deus sempre envia alguém que chega no momento certo para nos socorrer. Há sempre um “Tito” que chega. Abençoador. Bondoso. Solidário. Amigo. Irmão. Portador de boas notícias.
Que haja em nós a mesma prontidão e instrumentalidade para ajudar, socorrer e amenizar o sofrimento daqueles que esperam nossa chegada.


sexta-feira, 22 de julho de 2016

CERTEZAS NO VALE!




Ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada. Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo; tu me proteges e me diriges”, Sl 23.4 (NTLH).

A palavra vale é definida como depressão alongada situada no sopé de um monte ou entre elevações topográficas como colinas e montanhas; em seu sentido figurado pode significar um tempo, lugar ou circunstância de grande sofrimento.
Você já reparou que em nossa vida há momentos que se assemelham a um vale? Ficamos cercados por que nos impedem de caminhar seguros, sentimo-nos vulneráveis às mais diversas intempéries. Os problemas vão surgindo um após outro como que em efeito cascata, deixando-nos com a forte sensação de que encontraremos uma saída. Todos têm uma história para contar de momentos de nocautes, imprevistos, e ficamos aturdidos, sem direção, frágeis, vulneráveis e precisando intensamente da ajuda de alguém. Nessas circunstâncias, nossa fé em Deus é posta em xeque, pois surgem sombras que vão tomando proporções gigantescas que aumentam os temores e tornam os passos vacilantes.
No entanto, apesar da escuridão, profundidade e extensão do vale, é perfeitamente possível encontrar refrigério, alívio, segurança em Deus. E essa verdade é percebida na vida de Davi, um homem cuja fé e confiança foram fundamentais em toda a sua trajetória, pois ele entendia não ser possível viver sem a companhia, a proteção e a direção de Deus.

Certeza da companhia de Deus - ".... Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo;"
O Salmo 23 expressa a convicção de Davi quanto à presença de Deus em sua vida e como isso o fez suportar as mais terríveis aflições pelas quais passou. Embora os tempos sejam outros, em muitos momentos passamos por situações semelhantes às vivenciadas pelo salmista. Com diferentes nuances e contornos, o vale continua sendo aquela situação difícil e inesperada que nos surpreende, atemoriza, e expõe toda a nossa fragilidade e impotência humana. Nesses momentos, somente a graça de Deus é capaz de nos sustentar e a Sua presença em nossas vidas é a certeza de que seremos vitoriosos ao atravessá-lo.
Então, se por um acidente qualquer, você se encontrar no meio de um vale, não esmoreça, nem perca a esperança – ANIME-SE! Apesar de circunstâncias adversas ou dias sem brilho, eles se podem tornar luminosos e claros, proporcionando elevadas e sublimes experiências com Deus. Na verdade, o que precisamos saber é que o vale da sombra da morte pode-se tornar o vale das bênçãos quando Deus está presente, como está escrito: “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial”, Sl 84.6.
  
Certeza de proteção -  "... tu me proteges..."
Para expressar melhor a sua visão de Deus, o salmista tomou emprestada a figura de um bondoso pastor de ovelhas e o seu relacionamento com o rebanho. Davi sabia o que era ser pastor, pois exercera esta atividade quando jovem. Conhecia, por experiência própria, todas as dificuldades e perigos do caminho, sabia que a segurança da ovelha dependia inteiramente do cuidado e da proteção do pastor.
Em certas ocasiões, é comum sentirmos medo diante de algumas situações. O medo produz fraqueza, desespero e pânico. Ao sentir medo recorra ao Senhor em suas orações, exercite sua fé, deixe de olhar para a extensão e profundidade do vale e olhe para o Autor e Consumador da fé, Hb 12.2. Lembre-se que a figura do pastor retrata Deus como guia e protetor. Ele sempre conduzirá suas ovelhas ao destino certo e esperado, desviando-as dos perigos e revezes. Nos montes ou nos vales, a mão que nos guia nos fará atravessar e nos orientará e nos conduzirá a salvo até nosso destino final. “Sê forte e corajoso, não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares”, Js 1.9.

Certeza de direção - "...e me diriges".
Provavelmente o Salmo 23 é o mais conhecido, lido e recitado em todo o mundo. Davi tinha a plena convicção e consciência de quem era o Senhor e do que Ele representava para sua vida. Por isso, ele afirma, com segurança, que quem o guia e o conduz é o Senhor. É possível que ele tenha escrito este salmo, quando estava cercado por tropas de um rei inimigo, ainda assim não temeu, e sua confiança na providência divina não foi abalada.
Quanto a nós, que possamos, também, apropriarmo-nos das verdades contidas neste salmo, convictos de que somos ovelhas desse Pastor, sabendo que as necessidades serão supridas, as feridas cuidadas, e que Ele nunca desprezará ou se separará do Seu rebanho. Precisamos aprender a sermos totalmente dependentes de Deus, seja qual for a situação, pois, por Ele somos conduzidos pelo caminho seguro e certo, que nos levará ao destino almejado.
Facilmente quando nos vemos diante de situações que se assemelham a travessia de um vale, esmorecemos em nossa esperança e as lágrimas embaçam a visão. Quando isso acontece, inevitavelmente, perdemos a real dimensão do nosso Deus. Somente com Ele é possível tirar desses vales grandes benefícios e bênçãos duradouras. É consolador descobrir que mesmo os mais escuros vales têm, em Deus, uma fonte de força e coragem. Os desastres e tempestades não pegam o nosso Deus de surpresa, porque “... Os dias que me deste para viver foram todos escritos no teu livro, quando ainda nenhum deles existia. ”, Sl 139.16b.  Nossa esperança reside em saber que o Deus da história também é o Deus dos vales. Caminhar assim, certos de Sua presença faz o nosso coração descansar.

        Apesar de difíceis e inexplicáveis precisamos saber que os vales também são temporários e podem ser cheios de possibilidades, afinal uma coisa é certa: Deus estará sempre conosco dando-nos proteção e direção!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Lições com Rispa





Gosto de textos intrigantes, pois sempre escondem tesouros em suas entrelinhas. Tesouros nunca estão à vista de todos. É preciso procurar com afinco, persistência e atenção para encontrá-los. Alguns estão no fundo dos oceanos, uns no mais profundo da terra, outros precisam de mapas e orientações bem específicas; mas outros estão nas entrelinhas das narrativas bíblicas. Esses possuem um valor mais elevado que qualquer outro, pois nos ensinam a viver rica, produtiva e sabiamente.
O texto bíblico de 2 Samuel 21.8-14 baseia-se na breve história de uma mãe e seus dois filhos. Seu nome: Rispa. Esta mulher era filha de Aia e uma das concubinas do rei Saul; dessa união nasceram-lhe dois filhos: Armoni e Mefibosete. Um grave período de fome, que durou três anos, levou Davi a perguntar ao Senhor qual era a causa daquela tragédia. A resposta foi que tudo aquilo acontecia por causa da tentativa de Saul de destruir os gibeonitas e, assim, quebrar o pacto que Josué fizera com eles (Js 9).
De posse da resposta, Davi perguntou aos gibeonitas o que devia fazer para contornar aquela situação e eles pediram que lhes fossem entregues sete descendentes de Saul, para que fossem mortos. Neste “acordo de paz e reparação”, os dois filhos de Rispa com Saul, Armoni e Mefibosete, estavam entre os que foram entregues pelo rei. Depois de mortos, seus corpos foram deixados expostos em Gibeá. Rispa, a mãe dos rapazes, colocou-se sobre a rocha, perto dos cadáveres, e não permitiu que os pássaros ou qualquer outro animal tocassem neles, “desde o princípio da sega, até que a água caiu do céu”, (2Sm 21.10). Isso quer dizer que, num período de aproximadamente sete meses (esse era o período da colheita, que durava de abril a outubro), ela fez o improvável: não abandonou seus filhos, nem mesmo depois de mortos.
A dor daquela mulher de perder seus filhos se materializou em sua atitude. Dia e noite ela se pôs a afastar os animais que ousassem se aproximar dos cadáveres de seus filhos. Durante todo o período de dor, questionamentos e solidão que Rispa enfrentou por contemplar todos os dias os corpos de seus filhos, como se nunca tivesse ouvido seus risos e se unido a eles em seus sonhos e planos para o futuro, é possível que outras mulheres tenham se juntado a ela, ajudando-a nessa missão aparentemente sem qualquer sentido.
O que mais Rispa podia fazer naquela situação? O que fazer quando parece que nada mais pode ou vale a pena ser feito?
Talvez alguns a criticassem julgando-a como louca, histérica, mas é possível também que sua atitude despertasse a compaixão e a solidariedade de outros. O fato é que aquela mulher continuou exercendo seu papel de mãe com zelo, cuidado, persistência e coragem. Em meio aquele caos, ela encontrou algo para fazer por seus filhos: cuidar para que as aves e os animais não se alimentassem de seus corpos. Pode parecer uma atitude insana, estranha, sem nexo algum, mas Rispa nos deixa uma preciosa lição: cumprir o nosso papel, seja ele qual for, com cuidado e dedicação até o fim.
Aqui vão algumas lições que podemos aprender com Rispa:
1 - Todos têm o seu valor, independente do lugar que ocupam na comunidade no qual estão inseridos (2Sm 21.11). Quem era Rispa? Ela era concubina de Saul. Pouco sabemos sobre sua vida, mas uma coisa é certa: viver como concubina do rei não era tarefa fácil, apesar de todo glamour da vida palaciana. Portanto, não se julgue sem valor, incapaz, indigno ou impossibilitado para fazer algo ou ser alguém que provocará uma mudança radical em algum cenário à sua volta.
2 - Toda tarefa (missão - ministério) tem seu grau de importância (2Sm 21.10) - ainda que humana ou socialmente se tenha essa visão, abanar cadáveres durante meses, por exemplo, não parece ser algo muito significativo. Mesmo sendo Rispa a mãe "dos cadáveres", podemos pensar: “nada mais justo que a própria desempenhasse tal papel”. Ao contrário de Rispa, muitos pais desistem, antes mesmo que seus filhos morram fisicamente. Graças a atitude dessa mulher, as famílias que sofriam por verem seus entes queridos se deteriorando à vista de todos, usufruíram da atitude aparentemente sem qualquer valor.
3 - É preciso aprender a trabalhar sem os holofotes ou o reconhecimento de terceiros (2Sm 21.10a). A atitude de Rispa era um protesto solitário e é provável que ela não tenha intencionado alcançar resultados para além do enterro de seus filhos. No entanto, não somente seus filhos como todos os enforcados e também os restos mortais do rei Saul e seu filho Jônatas foram beneficiados com um sepultamento digno.
4. Cumpra seu papel, qualquer que seja ele, até o fim, 2Sm 21.10 b "... não deixou que se aproximassem deles as aves do céu de dia, nem os animais do campo de noite" - Qual o papel que, neste momento, cabe a você? Marido? Cumpra seu papel de esposo com fidelidade, amor, respeito e carinho até o fim. Esposa? Seja uma esposa dedicada, companheira, leal, amorosa e respeitosa até o fim. Mãe? Seja uma mãe dedicada na educação, na formação, na autonomia, no cuidado e no desenvolvimento saudável dos seus filhos até o fim; buscando o equilíbrio nas relações e promovendo um ambiente de diálogo e compreensão. Pai? Seja um pai presente, compreensivo, afetuoso e respeitoso; cumpra seu papel até o fim. Filho? Seja um filho grato, digno, respeitoso, afetuoso com seus pais, independente da sua idade; você recebeu cuidado, atenção, educação e alimentação, então prepare-se para retribuir cuidando deles, quando não puderem fazer por si mesmo. E, se seus pais não deram o que você precisava, não cuidaram como deveriam, enfim, não cumpriram seus papeis, não lhe cabe ser o juiz que os sentenciará à pena de pagar na mesma moeda. Seja filho até o fim. Chefe/líder? Seja um chefe digno, respeitoso, desempenhe seu papel com honra, responsabilidade e comprometimento com um ambiente de trabalho salutar. Cumpra seu papel até o fim. Colaborador? Seja um colaborador respeitoso, digno, pacificador e comprometido com a excelência dos resultados; cumpra seu papel até o fim. Enfim, qualquer que seja sua missão cumpra-a com zelo e comprometimento até o fim.
5. Transforme sua dor em algo produtivo (2Sm 21.11-12). Abanar os cadáveres de seus filhos foi a forma encontrada por aquela mulher para aplacar a sua dor, uma vez que nem ela nem eles foram responsáveis pela morte dos gibeonitas. Sua tragédia pessoal foi uma bandeira solitária contra o fim designado a seus filhos. Rispa alcançou resultados inimagináveis. Ainda hoje falamos sobre sua atitude. Podemos deixar de ser abençoados e abençoar alguém pelo simples fato de nos entregarmos à autocomiseração.
Isso nos leva a última, mas não menos importante lição:
6. Nossas atitudes não trazem consequências somente para nós. Como sempre digo: a vida é sua, mas as consequências são nossas! Quando alguém não cumpre o seu papel "até o fim", outros serão penalizados por isso. Saul, num ato insano de desobediência, feriu os gibeonitas, quebrando uma aliança feita desde a liderança de Josué. Os gibeonitas não queriam ouro e prata, e nem guerrear contra Israel, mas que fossem vingados pelo que Saul fez.
A morte dos filhos de Rispa não foi responsabilidade dela, e tampouco deles. Apesar disso, de alguma forma, ela atravessou aquele momento com um gesto solitário. Enxotar as aves e os animais era não se conformar com aquele trágico fim. Era, ao menos, desejar aos filhos uma despedida digna, um enterro descente da breve vida que tiveram. As palavras não ditas por aquela mulher ecoaram através de sua atitude e chegaram ao conhecimento do rei Davi (2Sm 21.11). Foi assim que o rei enterrou os ossos de Saul, Jônatas e de todos os outros que padeceram do mesmo fim que Armoni e Mefibosete, os filhos de Rispa. Sua atitude, antes solitária, se estendeu para além de sua própria dor e abençoou outras famílias que experimentaram a mesma angústia. O protesto solitário daquela mulher ecoou através dos muitos séculos e nos alcançou.
Talvez seja difícil acreditar que ainda exista algo a ser feito por alguém do nosso ciclo de relacionamentos, quando todos os recursos materiais se esgotaram. No entanto, deixemo-nos cativar pelo exemplo de Rispa, perseverante e determinada, aquela que cumpriu o seu papel de mãe até o fim. Não desanimemos. Sempre há algo a ser feito!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Sarah Cavalcanti: O QUE VIRAM EM TUA CASA?

Sarah Cavalcanti: O QUE VIRAM EM TUA CASA?: “...que viram em tua casa? ” 2Rs 20.15a Esta pergunta foi feita pelo profeta Isaías ao rei Ezequias, depois que ele recebeu em seu pa...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O QUE VIRAM EM TUA CASA?


“...que viram em tua casa? ” 2Rs 20.15a

Esta pergunta foi feita pelo profeta Isaías ao rei Ezequias, depois que ele recebeu em seu palácio uma comitiva enviada pelo então rei da Babilônia, Merodaque-Baladã. Ezequias, impensada e inadvertidamente, mostrou para aqueles homens toda a sua casa, os seus tesouros e todo o seu arsenal bélico. A visita da embaixada babilônica a Jerusalém tinha fins políticos: conseguir aliados para lutar contra o domínio assírio e o rei não percebeu na ocasião o quanto isto lhe custaria no futuro. Por isso, depois que a comitiva saiu, o profeta Isaías se dirigiu ao rei e lhe perguntou: “O que viram em tua casa? ”  Ezequias, totalmente alheio ao perigo, lhe respondeu: “Tudo quanto há em minha casa viram”, ainda acrescentou: “coisa nenhuma há nos meus tesouros que eu não lhes mostrasse”, 2Rs 20.15b, 2Cr32.27-29. Ao ouvir essa resposta, Isaías lhe avisou de que chegaria o tempo em que tudo aquilo (o que fora mostrado) seria levado para a Babilônia. Verdadeiramente, tudo o que Isaías predisse se cumpriu quando Nabucodonosor reinou sobre a Babilônia, Dn 1.1-2 ; 5.2-3.
Infelizmente, aquela visita aparentemente inofensiva traria muitos prejuízos irreparáveis, pois nenhum dos presentes levados pela comitiva do rei da Babilônia poderia remediar os estragos causados pela atitude de Ezequias. Sua falta de discernimento o impediu de agir com prudência quanto à sua casa, sua família, seus bens e à segurança do seu povo.
Não é diferente conosco. Tal como Ezequias, deixamos adentrar em nosso lar sutis mensageiros que chegam com presentes aparentemente vantajosos e, assim, abrimos a porta da frente, literalmente, para que “inimigos em potencial” entrem, se instalem e saqueiem tudo que temos de mais precioso: nossa família!
Entenda-se por “sutis mensageiros” tudo quanto pode comprometer, abalar ou destruir os valores da família. Não é sem razão que somos surpreendidos com comportamentos e atitudes de filhos, cônjuges ou familiares. É que fomos incapazes de perceber que tais atitudes foram o somatório de pequenas concessões feitas no dia a dia, na correria da vida moderna e na falta de tempo significativo para estar com a família. Nossas muitas atribuições podem nos driblar impedindo que percebamos as armadilhas que os espreitam em casa, na rua, na escola, na vizinhança.   
É certo que não podemos, e nem devemos colocá-los, em uma redoma de vidro para protegê-los. Nesses momentos, é inevitável que surja a pergunta: “Como proteger sem alienar?”. Não é tarefa fácil. Mas é possível conhecer os espaços que frequentam, as amizades e os ambientes virtuais por meio de um relacionamento bem alicerçado desde a mais tenra infância. Ingredientes como diálogo franco, compreensão, limites, disciplina, exemplo e amor não podem faltar nessa construção diária. Educar exige tempo, dedicação e persistência.
Mais do que nunca precisamos de pais e responsáveis que não se limitem a somente apontar o caminho para seus filhos, mas que se disponham a caminhar com eles lado a lado para os proteger, equipar e defendê-los antes que “sutis mensageiros” entrem na família e consigam minar, anular, roubar e desferir o golpe fatal de destruição.
É sábio aquele que busca a preservação de sua família. Sem dúvida alguma, o padrão bíblico para uma vida em família é realmente muito elevado, mas quem o seguir será feliz e bem-sucedido, Sl 127.1. A sabedoria para tal encontra-se na comunhão diária com Deus através da oração, leitura e meditação da Sua Palavra. “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada”, Tg 1.5. 
A pergunta do profeta ainda repercute nos dias atuais: “O que viram em tua casa? ”.  Avalie o que está entrando em sua casa e não permita que entre em seu lar mensageiros de destruição e ruína. Ao contrário do que fez o rei Ezequias, proteja sua família!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

QUEM VOCÊ PENSA QUE É?


Certa vez, um camponês andando pela floresta, encontra caído ao chão um ninho de águia, com um filhote bastante machucado, que havia caído junto com o ninho do galho mais alto, de uma das árvores mais alta do local.

Com pena da ave, levou-a para sua casa e tratou-a dia a dia. Aos poucos foi se recuperando, e o nosso camponês, sem ter onde deixá-la, acabou colocou-a no galinheiro, junto com as suas galinhas.

E, assim, a aguiazinha foi crescendo e aprendeu a se comportar exatamente como as galinhas.

Os anos se passaram. Certo dia, o camponês recebeu a visita de um naturalista que, ao ver a águia no galinheiro, afirmou:

"Este pássaro não é uma galinha, é uma águia, a rainha das aves, aquela que voa mais alto e que mais perto chega do céu e do sol. A maior de todas as aves".

O camponês confirmou o que ouviu, mas retrucou:

"Não. Ela já foi uma águia. Ela foi águia quando nasceu, mas hoje é uma galinha. Veja, ela se comporta exatamente igual às galinhas".

O naturalista não se conformou e pediu ao camponês para deixá-lo libertar a águia. O camponês não tinha nada a opor, mas advertiu:

"Não adianta. Você verá que ela não é mais uma águia, pois eu não sei há quanto tempo ela já está aqui e durante todos esses anos ela sempre se comportou como uma galinha".

O naturalista pegou a águia e disse:

"Você sempre foi, é e sempre será uma águia. Você nasceu para voar muito alto, para ser a maior de todas as aves, a mais poderosa.

Você não é uma simples galinha. “Vamos, voe em direção ao céu e ao sol, pois é o seu destino”.

A águia olhou para baixo, viu as galinhas e pulou para o chão, ficando entre elas. O camponês comentou:

"Não lhe disse? Ela perdeu o espírito de águia e agora é uma simples galinha".

O naturalista não se conformou e retrucou:

"Não. A natureza dela não é essa. Amanhã vamos levá-la para o alto da montanha mais alta, lá ela verá o sol e voará como uma águia que é".

E assim fizeram. No dia seguinte levaram a águia até o alto da montanha mais alta e o naturalista repetiu:

"Vamos! Você é uma águia, uma das mais belas criações de Deus. Você foi feita para vencer, não pode continuar agindo como uma simples galinha. Voe. Observe o céu e o sol, eles são os seus objetivos, e não a terra, o chão de um galinheiro".

A princípio a águia, de forma muito medrosa, procurou as galinhas, mas como não as encontrou por perto, passou nervosamente a bater as suas enormes asas, com quase 3 metros de envergadura; aos poucos foi criando coragem e depois de algumas tentativas frustradas e de muito medo conseguiu alçar pequenos voos. Mais um pouco e ela se sentiu com a coragem necessária para voar em direção ao sol e ao céu; e lá foi ela, galhardamente, realizar o seu projeto de vida, para o qual havia sido criada.

Do livro "A Águia e a Galinha" - Leonardo Boff

Para a reflexão nossa de cada dia...

Como a águia no início da história, que sofreu uma queda lhe causando ferimentos e direcionando-a para uma existência fora do seu habitat, algumas pessoas também, um dia, foram atingidas por algum revés em suas vidas, e isso, de alguma forma, acabou levando-as a viver em circunstâncias, lugares ou situações não desejáveis, não ideais ou não planejadas. Tais pessoas podem viver assim como que anestesiadas pelo medo de sofrer novamente ou, diante da primeira oportunidade, tentar alçar novos voos, para conquistar novos horizontes. Quem aprendeu a viver aquém de suas reais possibilidades, certamente precisará empreender contínuos esforços sem se deixar dominar pelo desânimo do fracasso que as primeiras tentativas poderão produzir. Além disso, precisará lutar bravamente contra a falsa sensação de segurança e comodidade que situações assim costumam proporcionar.

Embora construir um novo modo de pensar seja trabalhoso, sempre vale a pena, pois é dessa forma que se adquirem novos conhecimentos, novas posturas, novas conquistas e novas propostas para a vida. No decorrer desse processo, é claro que haverá muitas resistências às mudanças. Porém, esteja certo de que, todo o seu potencial ainda não foi totalmente conhecido e explorado, e quem sabe por algum acontecimento alheio a sua vontade, você esteja vivendo de maneira limitada sem se dar conta disso. O desafio é alçar novos e maravilhosos voos, sem buscar justificativas para não o fazer.










quinta-feira, 16 de abril de 2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O vento que venta lá também venta cá



 Não bastasse a chuva, tinha de chover forte a ponto de alagar tudo. Não bastassem os ventos, tinham de ser ventos fortes o suficiente para estremecer as estruturas. É desse jeito que Jesus conta a parábola dos dois alicerces. Ensinando a multidão, Jesus fala sobre a sabedoria, a prudência, a estupidez e a tolice. Ele diz à multidão que aquele que ouve seus ensinamentos e vive de acordo com eles é sábio, (Mt 7.24-26 – NTLH). Jesus compara essa pessoa a um homem que, para construir uma casa de maneira segura, cava bem fundo e em terreno sólido. E, obviamente, aquele que não procede assim, é alguém sem juízo, tolo.

Todos sabemos como é trabalhoso construir. Pois tal empreendimento demanda tempo, esforço, investimento e requer muita paciência. É custoso e lento construir sobre bases seguras. A ansiedade por resultados imediatos pode comprometer o valor do processo e prejudicar a solidez do projeto.

No entanto, nesse texto há uma lição que pode facilmente passar despercebida, tamanha a sutileza do ensino. É que em ambas as casas, na do sábio e na do tolo, caíram as chuvas e sopraram os ventos. Ambos sofreram perdas e danos. Isso é um alerta de que construir sobre a Rocha não torna ninguém imune às intempéries da vida. Tais como os que vivem sob frágeis fundamentos experimentaremos também dias difíceis. Violentas tempestades, as mesmas chuvas, os mesmos ventos, as mesmas inundações, contudo, nesse momento, o que faz toda a diferença não é o acabamento primoroso da construção, o seu tamanho, sua localização ou qualquer outro fator externo. O que sustentará o arcabouço de qualquer construção metafórica ou concreta, será o investimento gasto na edificação do alicerce.

Falando de outra forma, o que Jesus nos assegurou é que conhecer e praticar os Seus ensinamentos, não nos imuniza das dores, decepções ou problemas inerentes à nossa existência humana, ainda que fiéis, sinceros e comprometidos. Todo o Seu ensinamento, nada tem a ver com imunidade, mas com força, coragem e confiança.

Então quais as benesses em construir arduamente sobre a Rocha se enfrento as mesmas tempestades e sofro os mesmos agravos daqueles que não o fazem? Talvez essas e outras perguntas nos assaltem, fragilizando nossa fé e debilitando nossas emoções. No entanto o que precisamos entender é que a proposta do Mestre tem alcances mais profundos e realistas. Jesus, em hipótese alguma, nos atrai com falsas promessas. O apóstolo Paulo nos ajuda a entender melhor ao escrever sua segunda carta à igreja de Corinto: “Muitas vezes ficamos aflitos, mas não somos derrotados. Algumas vezes ficamos em dúvida, mas nunca ficamos desesperados. Temos muitos inimigos, mas nunca nos falta um amigo. Às vezes somos gravemente feridos, mas não somos destruídos”, (2Co 4. 8-9).

A preciosidade das palavras de Jesus reside no fato de que Ele nos ajuda a compreender a transitoriedade da vida e a imutabilidade dos reveses, sem que se perca a segurança e a serenidade que invade a alma daqueles que conhecem e confiam nas bases que sustentam suas vidas.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Sarah Cavalcanti: CONVERSAS DE RUA



Sabe aquele dia em que você precisa desesperadamente de que tudo o que planejou dê certo?            

CONVERSAS DE RUA


 FAÇA O BEM SEM OLHAR A QUEM


      Sabe aquele dia em que você precisa desesperadamente de que tudo o que planejou dê certo? 
     Você calcula, planeja e ainda assim se surpreende, se chateia e desaba quando os imprevistos surgem. Pois é, o "não previsto" tem o poder de desestabilizar, remexer, sacudir e por vezes, até fazer cair. Foi o que aconteceu comigo em um fatídico dia em que, pelo menos em tese, tudo estava friamente calculado para que eu obtivesse êxito em minha empreitada.  Até que... o banco rejeitou meu pedido por causa da documentação apresentada. E quando consegui corrigir corri para pegar o primeiro táxi. Até que... não consegui embarcar em nenhum dos taxis que passavam na hora do meu desespero para voltar em casa e completar a documentação. Até que... resolvido o problema do banco, precisei me descolocar para a zona sul da cidade e passar por inúmeros congestionamentos no trânsito, coisas de cidades grandes. Até que... ao chegar ao destino planejado, o número de pessoas aguardando atendimento superou o esperado. Até que... finalmente consegui cruzar a linha de chegada da longa fila e ser atendida pelo funcionário público. Até que... descobri não possuir todas as informações necessárias para o andamento do processo. Até que... desabei ali mesmo diante do funcionário. Entre documentos incorretos, taxistas apressados e informações imprecisas, todo o meu descontentamento e frustração desmoronaram naquele lugar. Até que sob novas orientações tentei reagir. Até que aprendi que é preciso remover os escombros e voltar ao plano inicial. E foi isso que eu fiz até que... ao sair da agência levei um tombo cinematográfico. Caí de cara no chão. Nesses momentos é impossível internalizar as palavras de Fernando Sabino e "fazer da queda um passo de dança". A gente quer sair correndo e desaparecer, no entanto levantar é preciso. Encarar a plateia é preciso. Seguir em frente é preciso. Se o constrangimento prevalecer a gente levanta, mas interrompe a caminhada. E ainda corre o risco de ficar prostrado, ferido e amargurado. 
     A partir daí, o "até que..." sai de cena e surge o "foi aí que...". Foi aí... que ao levantar dolorida e visivelmente constrangida me dei conta do já sabido, mas sempre esquecido: “de nada adianta chorar sobre o leite derramado”. Foi aí que... ao chegar ao ponto de ônibus conheci a maranhense Carlina de Jesus e iniciamos uma rápida conversa informal. Foi aí...que me dei conta de que na correria do dia, não havia almoçado. Carlinda, prontamente se ofereceu para irmos juntas a uma lanchonete e, embora eu insistisse em dizer não haver necessidade de que me pagasse o lanche, ela o pagou. E sem nada perguntar. Não perguntou meu nome, nem onde eu morava, aliás eu é que não me contive e fiz essas perguntas. Carlinda me levou para lanchar e quando eu disse que ela perderia o ônibus,  respondeu com a maior naturalidade: 
    - Eu pego o outro! 
Simples assim. Foi aí que... percebi que imprevistos ruins acontecem sim, mas imprevistos bons acontecem também. E partir deles novas oportunidades, possibilidades e amizades podem surgir. Apesar de toda descrença e desconfiança que paira sobre a humanidade ainda existem pessoas que fazem o bem sem olhar a quem.
     

  





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